
Gosto de ti desesperadamente: dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto, dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso; dos teus seios de ambrosias, brancos manjares trementes com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias; de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar - branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar; de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo, de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo; - do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos, mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem esses desejos da gente... Gosto de ti desesperadamente; gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela, dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela, (há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés) - gosto de ti, feiticeira, tal como tu és...
Vou deslizando meus dedos por essa estrada sedosa, Em cada curva que passo, um odor, novas surpresas: É tua pele macia, horizonte de belezas, Delícias de minha vida, companheira, saborosa... Em tua cútis, a boca rastejo, de sul a norte, Provocando em cada pêlo um gostoso arrepio, E sinto que te contorces como a gazela no cio, E te envolvo, faminto, e te abraço bem forte... Inexplicáveis momentos de ternura, de paixão, De corpos embriagados, em transe de comoção, Com gemidos e suspiros saltando à flor da pele... E prossigo no caminho de mistérios tão infindos, Amando teu ser completo, fitando teus olhos lindos, Até que afinal, num beijo, meu prazer tua boca sele...
MAÇAZINHA
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